sábado, 30 de agosto de 2008

Pedaços de Clarice Lispector (3)

Não sei se tenho trabalhado: meu trabalho não tem aparecido. Acho que ele consiste na maior parte do tempo em me vencer. Em vencer meu cansaço e impotência. Acho que meu trabalho de elaboração é tão exaustivo que eu depois não tenho o ímpeto e a força da realização. É um trabalho acima de minhas forças, eu diria, se ao mesmo tempo não visse que o que eu escolho para fazer é a única coisa que posso. Se isso chama poder. O que me atrapalha é que vivo permanentemente cansada. Minha tendência seria a de pensar apenas e não trabalhar nada... Mas isso não é possível. Eu gostaria de ter um aparelho matemático que pudesse ir marcando com absoluta justeza o momento em que eu progredi um milímetro ou regredi outro. Minha impressão é a de que eu trabalho no vazio, e para não cair eu me agarro num pensamento e para não cair desse novo pensamento eu me agarro em outro. É essa a minha vida mental. Na parede do meu quarto pendurei várias frases. Uma delas é assim, dita por Kafka: "há dois pecados capitais humanos donde decorrem todos os outros: a impaciência e a preguiça. Por causa da impaciência, os homens foram expulsos do paraíso. Por causa da preguiça, eles não voltam. Talvez haja apenas um pecado capital: a impaciência. Por causa da impaciência eles foram expulsos do paraíso, por causa da impaciência eles não voltam". outro cartaz: "a inspiração é o mais alto momento de uma atenção sem defeito". Outro: "nadar contra a corrente só serve em casos raros que é preciso reconhecer; senão, fazer-se de 'prancha', manter-se à superfície, deve ser a política de um homem que quer aproveitar o mistério das correntes". Eu mesma vivo me levantando e caindo de novo e me levantando. Não sei qual é o bem disso, sei que é dessa forma confusa que vivo. Você não imagina quanto eu sou infantil nisso: meu desejo mais obscuro era dar minha cabeça para alguém dirigir, que alguém me dissesse todos os dias: hoje faça isso, hoje corte isso, hoje aperfeiçoe isso, isto está bom, ito está ruim. Uma pessoa que quisesse "tomar minha direção" seria bem vinda... Eu nunca sei se quero descansar porque estou realmente cansada, ou se quero descansar para "desistir".
Estou bem de saúde, só cansada, sem motivo. Vai haver vários concertos na catedral com música de Bach, Haydn, Mozart, cantada. Se eu fosse mais simples, aproveitaria de tudo mais. O pior é esse hábito mental em que caí de querer transformar tudo em ouro.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Pedaços de Clarice Lispector (2)

Postagem anterior em julho/07.

"Quanto ao diário, fico sem jeito de escrever nele bobagens. Acho que vou copiar nele as poesias que me agradam, os pedaços de livro que me agradam".
É frase de Clarice. Parece o meu blog. Eu havia publicado a postagem "Pedaços de Clarice" antes de ter lido esse livro... Aqui seguem mais Pedaços de Clarice.

Pedaços do livro Minhas Queridas: Cartas que ela escrevia para as irmãs.
Clarice é inteira, intensa, transparente.

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Tudo está correndo bem, só que estou enervada com esse "estado de viagem".

O que importa na vida é estar junto de quem se gosta.

É chatíssmo não morar.

Cuide-se como se você fosse de ouro, ponha-se você mesma de vez em quando numa redoma e poupe-se.

Quero aliviar um pouco o coração com algumas linhas.

As coisas continuam igual. Eu quase não saio, levo uma vida dentro de casa, o que não me desagrada. Quando saio gosto muito. Fico ou procuro ficar o mais tempo possível no meu quarto, o que me agrada. Produro fazer e cumprir um programa de certa pureza; o que é difícil pelas contínuas interferências, mas não impossível. Procuro também fazer com que minha vida não seja cercada de excessos cômodos, o que me abafaria.

Tenho mais o que fazer: por exemplo, ficar sentada olhando para a parede.

E em breve certamente arranjarei um programa em que eu me isole um pouco mais e possa ler ou não ler, como me agradar.

Parece que é escrevendo que se podem dizer certas coisas.

Você tem o célebre medo de ferir e entristecer e diz pouco ou quase nada.

Quanto à vida em geral... ela vai em geral mesmo. Não há novidades. Corpo e alma foram feitos para na hora de dormir estarem cansados.

Detesto pessoas que se parecem comigo...

Ando ocupada com a dispersão de minha vida.

Não há no mundo inteiro coisa melhor do que carta.

Às vezes não se tem o que escrever mesmo quando se tem o que falar.

Há muita coisa bonita no mundo. Ser irmão é uma delas.

Que há no seu trabalho? Que sucede de novo? Tem trabalhado muito? É obrigada a ir todos os dias sem poder descansar um dia aqui, outro ali?

Sou em geral tão anormal e ninguém me compreende apoiando.

Eu não posso nem me arrepender porque esse dia passado na cama (são 3 horas da tarde e escrevo deitada) está me fazendo tanto bem que eu resolvi passar um dia por semana deitada.

Tenho receio de ficar permanentemente fatigada. Eu procuro fazer o que se deve fazer, e como se deve ser, e me adaptar ao ambiente em que vivo - tudo isso eu consigo, mas com o prejuízo do meu equílibrio íntimo, eu o sinto.

O que tem me perturbado intimamente é que as coisas do mundo chegaram para mim a um certo ponto em que eu tenho que saber como encará-las. Sempre encarei com revolta. Mas ao mesmo tempo que sinto necessidade de fazer alguma coisa, sinto que não tenho meios. Talvez eu não esteja vendo o problema maduro, pode ser que a solução venha daqui a anos, não sei.

Não sei se porque gasto muito a cabeça pensando, repensando e me preocupando e resolvendo mentalmente todos os problemas, estou sem memória.

Estou lendo bastante, estou procurando através dos livros chegar a uma conclusão sobre as coisas que me parecem tão confusas como nunca.

Se há uma coisa que eu adoro é ver bicho.

Naturalmente tem dias em que o coração está anuviado: nem dias: durante um só dia tudo fica claro e escuro e de novo tudo claro. O que é preciso é não ir demais contra a onda. A gente faz como quando toma banho num mar: procura subir e descer com a onda. Isso é uma forma de lutar: esperar, ter paciência, perdoar, amar os outros. E cada dia aperfeiçoar o dia. Tudo isso está parecendo idiota... Mas até que não é.

Ninguém tem o direito de torcer o moldar demais destinos, mesmo que sejam dos próprios filhos, suponho.

E por mais trabalho que você tenha, não descuide da vaidade. Faça o penteado mais lindo. Mas, por favor, acredite que você conseguirá a mesma soma de produção mantendo ao mesmo tempo os nervos relaxados. Chegue junto do espelho, faça a sua cara mais repousada e calma - e com essa expressão continue o trabalho. Você vai ver que ganha uma nova força. Essa história de olhar no espelho e fazer uma expressão, tem raízes científicas, se você quer se convencer. Tem uma teoria de emoções que diz que a gente fica alegre porque ri. Sem aprofundar mais, ela tem uma parte verdadeira.

Os meses passam depressa, felizmente. Os dias às vezes é que não passam.

Saúde, sossego, paciência e inspiração. São quatro musas eficientes.

Mesmo que essa crença seja uma descrença.

Tenho levado a vida exteriormente calma e interiormente ocupada.

Eu sempre disse a mim mesma que o amor que os outros têm pela gente cria mais deveres do que o amor que a gente tem pelos outros.

Tudo é pretexto para o abandono de si mesmo e para a preguiça mental. Estou feliz e o que é preciso mesmo é, como você sempre diz, construir um pouco minha felicidade.

A boa vontade é um fator muito mais importante do que a gente pensa. A gente não muda um pouco de ponto de vista quanto às coisas porque tem medo de sair da própria pele e do próprio sistema. Mas às vezes basta resolver estar simples, e o milagre se realiza: tudo fica mais simples.

Não evoluí nada, não atingi nada. Continuo com os pés no ar, continuo vaga e sonhadora, deslocando de algum modo o sentido da vida. Dá vontade de gritar de tanta impotência.

Parece que estou agora me habituando; tenho estado mais alegre e mais conformada, e mais capaz de me dominar e de abafar meus sonhos inúteis. Mas posso dizer que desse período me ficou mesmo uma repugnância de sofrimento, como se tem repugnância de ferida que não cura.

Nem todos são bastante fortes para suportar não ter ambiente propriamente. É preciso ter muita coragem para ter vida nova.

Eu talvez não seja a pessoa indicada para pedir aos outros que não se preocupem inutilmente: sou vunerável às menores bobagens, às mínimas palavras ditas, a olhares até, e sobretudo, a imaginações. Mas, exatamente por ser assim procuro combater essa propensão doentia, é que posso pedir aos outros que não resvalem por esse caminho.
Não há nada que canse tanto, como se torturar com preocupações.

Você tem rido, achado graça nas coisas, tido bom humor? Tem tido tempo moral de olhar um pouco ao redor, com um olhar tranquilo? Tem tido gosto em repousar vendo uma revista? Tem se dado presentes, tem feito favores a você mesma, tem tirado folgas?

Espero um dia sair deste círculo vicioso em que minha "alma" caiu.
Cuide-se bem, nunca deixe que o cansaço tome conta de você, nunca se deixe levar por nenhuma depressão. Seja alegre, seja feliz. Faça higiene mental e moral.

Corte as preocupações inúteis, raciocine com clareza e veja que as coisas amolarão do mesmo modo, quer você se preocupe ou não. Não queira fazer as coisas com perfeição, à custa de sua tranquilidade.

Para mim não existem nunca lugares, existem pessoas.

Os exercícios consistem em respiração, em relaxamento muscular. Vamos ver se viro super-homem sem mudar de sexo.

Agora vou terminar porque tenho que começar a arrumar a mala. Vocês não podem imaginar como estamos cansados de viagens e mudanças. Estamos espiritualmente cansados, fisicamente cansados. O corpo e a cabeça ficam constantemente procurando uma adaptação, a gente fica fora de foco, sem saber mais o que é e o que não é. Nem meu anjo da guarda sabe mais onde moro.

Parece que é mesmo meu destino. Forço de todos os lados para mudá-lo, mas vejo que não tenho força para tanto.

Me sinto aliviada, animada e contente. A alma é misteriosa, mas o corpo é muito mais.

Deus abençoe vocês e proteja vocês e lhes dê saúde, alegria, tranquilidade de espírito, felicidade, paciência, ânimo, coragem, mil alegrias, milhões de alegrias, muita saúde, muitas recompensas, paz de espírito, fé, compreensão de vocês mesmas e dos outros, muita felicidade.

Eu estava mesmo desafiando o mundo naquela hora e provando a todos do que sou capaz! E que sou capaz de aguentar minhas emoções, e que sou capaz de tudo! Era isso que eu estava querendo, por modos indiretos, provar, e queria ver qual seria a resposta do mundo! A resposta do mundo foi a seguinte: "nós não estamos aqui para julgar, há muita coisa entre o céu e a terra que não compreendemos, e nós damos liberdade a quem tomar liberdade, nós respeitamos quem tomar liberdade.
Estou aprendendo muito com meu próprio trabalho.
Uma das coisas mais maravilhosas da vida é que o aprendizado é contínuo, a gente está sempre aprendendo alguma coisa.

O que importa mesmo é "fazer" - fazer coisas.

Não adianta se preocupar pois para cada problema existem muitas soluções.

Um dia desses tive um ódio muito forte, coisa que eu nunca me permiti; era mais uma necessidade de ódio. Então escrevi um conto chamado "O Búfalo", tão, tão forte. É a história de uma mulher que vai ao Jardim Zoológico para aprender com os bichos como odiar. Mas é primavera e os animais estão mansos, mesmo o leão lambe a testa da leoa. Essa mulher, que só aprendeu a perdoar e a se resignar e amar, precisa pelo menos uma vez tocar no ódio de que é feito o seu perdão. Entende-se que ninguém tem culpa: ela está tentando odiar um homem cujo "único crime impunível" é não amá-la. Na verdade, por mais irracional que fosse, ela o odiava, só que não conseguia sentir em cheio o próprio ódio. Depois é que vem o búfalo. Mas estou vendo que estou matando a história, contando-a desse jeito. Um dia vocês verão.

Não se canse demais com a mudança, vá fazendo tudo aos poucos, tem tempo. E não ligue pequenas coisas, não se impaciente com a lentidão de várias coisas.

Vou pegar o dinheiro e comprar tudo de roupas para mim, pois ando bem desfalcada ou com roupa já enjoada demais.

... Se conseguir vencer preguiça e desânimo...

O vestido é muito bonito, branco, e tão justo e "sexy" que até pareço uma coisa que não sou, ou que, pelo menos, não pretendo ser...

A verdade é que não consigo me concentrar. E o dia passa, partido em mil coisas vagas ou concretas, mas partido.

Por incrível que pareça, tenho medo de minha futura desadaptação. Já me parece sinceramente não pertencer mais a nenhum lugar, tenho medo disso. Mas vamos deixar o futuro ao futuro.

Ele age como um "estranho" interessado, e não em meu nome direto.

As frases estão complicadas, mas o sentimento não.

Não há nada como um dia atrás do outro para repor às vezes as coisas nos lugares a que pertencem. Sendo que, por Deus, a gente tem que ajudar a repô-las ou pô-las.

Tenho lido alguma coisa (eu tinha passado cerca de três anos incapaz de me concentrar a ponto de chegar à metade de um livro).

Então, eu , que sempre evito me colocar em situação de poder ser rejeitada, fiquei mais corajosa.

É ridículo como hesito em decidir pequenas coisas, como sinto a necessidade de pedir conselhos, e depois, é claro, fico revoltada por ter aceito os conselhos, por ser tão indecisa... É um círculo vicioso que precisava ser quebrado. Mas tudo vai dar certo, e me arranjarei bem.

A relativa independência vai lhe ensinar muita coisa.

Quando você tiver visto a peça de Nelson Rodrigues me escreva. Queria saber que mais ele introduziu na peça, além do que já costumava e que já era bastante ousado.

No Universo de Clarice

Eu falando em Universo de Clarice o olha o que aparece como presente para o mês do meu aniversário. Programa para a Próxima Semana.
Uma amiga que foi na exposição de Clarice em SP me ligou de lá dizendo que parecia eu, os escritos, as listas, tudo.
Definitivamente, no universo de Clarice.

http://www44.bb.com.br/appbb/portal/bb/ctr2/rj/NoticiaDetalhe.jsp?Noticia.codigo=163669
Clarice Lispector | A Hora da Estrela

A Viagem
Emoções, surpresas e segredos serão revelados ao visitante que irá percorrer 600 m2 e oito salas do primeiro andar do CCBB. “O objetivo é oferecer ao espectador uma introdução à riqueza do universo de Clarice”, explica a curadora Júlia Peregrino. “Quem conhece irá desfrutar; quem não conhece, será instigado a conhecer, e ser um novo leitor de Clarice”, conclui.

Logo na entrada, o olhar marcante da escritora aguarda pelo público com a sua primeira frase “Ver é a pura loucura do corpo”. Em seguida imagens ampliadas de seu rosto, impressas em voile, deixam transparecer frases e idéias de seus escritos que revelam o pensamento daquela que, na opinião do curador e poeta Ferreira Gullar, “tentou dizer o indizível sabendo que não poderia fazê-lo”.

Sobre Clarice Lispector
Em 1976, o biógrafo e escritor José Castello (jornalista de O Globo na ocasião) perguntou a Clarice Lispector:

JC: “Clarice, por que você escreve?
CL: Vou responder com outra pergunta: por que você bebe água?

JC: Por que bebo água? Porque tenho sede.
CL: Quer dizer que você bebe água para não morrer? Pois eu também: escrevo para me manter viva!”

O diálogo demonstra o que o ato de escrever significava para Clarice: um ato vital, um ato natural, do qual ela não podia fugir.

Nascida na Ucrânia, no dia 10 de dezembro de 1920, Clarice veio para o Brasil com pouco mais de um ano. Seu primeiro livro, Perto do Coração Selvagem, lançado quando ela tinha apenas 23 anos, provocou sensação. Nas palavras de Lauro Escorel, as características do romance revelam uma "personalidade de romancista verdadeiramente excepcional, pelos seus recursos técnicos e pela força da sua natureza inteligente e sensível".

Autora de 26 livros, traduzida em 15 línguas, a autora de A paixão segundo G.H. e Água viva influenciou a sua própria geração e as que vieram – o que não impediu que tivesse de fazer traduções e escrever crônicas e colunas femininas para ganhar a vida. Clarice faleceu no Rio de Janeiro, em 1977, no dia 9 de dezembro, um dia antes de seu aniversário. Mas a sua atualidade é comprovada pelas contínuas reedições de seus livros e as muitas adaptações de seus textos para o cinema, o teatro e outros meios expressivos.

Ficha Técnica:

Coordenação Geral- Júlia Peregrino
Curadoria- Ferreira Gullar e Júlia Peregrino
Assistente de curadoria- Anabela Paiva
Idealização e produção- FazerArte
Design da exposição- Daniela Thomas e Felipe Tassara
Iluminação- Cesar de Ramires
Cenotécnico- Arapuan Santiago

Serviço:

Clarice Lispector | A Hora da Estrela
Mostra de fotografias, manuscritos, correspondências, documentos pessoais, fotografias da escritora.
1º andar
19 de agosto a 28 de setembro
de 3ª a dom., de 10h às 21h
Entrada franca

Se eu fosse eu, o que eu faria?

Se eu fosse eu...
Texto da Clarice recebido de uma amiga em julho/05.
Postagem no blog em maio/07.
Peça assistida em agosto/08.
Frase no msn: "Se eu fosse eu, o que eu faria?" em 28/08/08.

Um amigo respondeu a pergunta dizendo que:
"Cortava o cabelo bem curto, ia malhar muito para chegar gostosona no verão, outro banho de loja, comprava um apto na zona sul e arrumava um emprego que não precisasse ir tanto para SP"

Malhar, eu gosto e me faz falta, mas ainda não tive atitude para engrenar.
Apto na Zona Sul? Em avaliação.
Emprego que não precisse ir tanto para SP? Em transformação.
Eu de cabelo curto? Tive poucas vezes e alguns reclamaram...

Ele acha que o cabelo comprido é óbvio, comum e que um corte curto com estilo mostra personalidade. Não estou convencida, ainda mais agora que meu cabelo cresceu e estou feliz com ele!
Acho que os homens preferem cabelos compridos por um motivo óbvio.
Ele disse que os homens gostam do óbvio e não gostam de mulheres fortes e sim das comandadas; que os homens casam com as comandadas e ficam de olho nas outras, as fortes com personalidade, porque literamente não têm c----o para casar com uma forte, porém ficam tentados quando vêem. Para ficar com uma mulher forte tem que ser alguém maduro que saiba apreciar e valorizar, não podem ser os b-----s camisolões. E, que não é para a mulher forte passar por fraca para ter alguém do lado. O homem tem que ter cacife para jogar de igual pra igual. Concluiu que pessoas legais merecem pessoas legais, que o mundo é cheio de possibilidades em todos os sentidos e que temos que saber aproveitar a vida.
Isso é depoimento de amigo que afinou o instrumento e soltou o som na semana. Logo, bem inspirado.

Por falar em óbvio e lógico, hoje tem prosecco e absolut com morango na casa dele.
Um brinde à sexta-feira e à amizade.
Amigo não é tudo?

Desde que seja seu mesmo

“Sejam vocês mesmas!
Estudem cuidadosamente o que há de positivo ou negativo na sua pessoa e tirem partido disso.
A mulher inteligente tira partido até dos pontos negativos.
Uma boca demasiadamente rasgada, uns olhos pequenos, um nariz não muito correto podem servir para marcar o seu tipo e torná-lo mais atraente.
Desde que seja seu mesmo.”
Helen Palmer

Se eu fosse eu...

Se Eu Fosse Eu...
Cia. Simples de Teatro faz espetáculo inspirado em Clarice Lispector

Inspirada no livro Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector, a peça tem como ponto de partida a trajetória de uma mulher em busca de si mesma, que procura superar um amor frustrado.
Fruto de 18 meses de pesquisa, o espetáculo é composto por narrativas fragmentadas. As cenas são criadas de improviso para mostrar a busca real das mulheres e dos homens por um encontro transparente e sem máscaras.


Assisti ontem com duas amigas. Saimos do trabalho em cima da hora, no desafio do tempo, como eu costumo dizer. Local alternativo e simples. Peça que leva a análise, insights e risadas. Não sei dizer quanto tempo a peça durou. Pensei tanto que nem vi o tempo passar.
Uma das amigas brincou que a peça era cabeça demais. Saimos conversando sobre a abordagem. Bem inteligente.
Fomos a um restaurante, também alternativo, perto do teatro. A nossa entrada foi engraçada: business executive women invadindo um espaço alternativo, andando de salto a procura de uma mesa. A que encontramos era rodeada de fumantes e optamos por trocar. A garçonete me perguntou para quantas pessoas era a mesa e eu respondi que era para 4 pessoas. Ela perguntou se chegaria mais uma pessoa e eu respondi que não, que éramos só nós 4 mesmo. Só nós 4 quem, Ana Paula Mussel? Onde eu estava com a cabeça? Minhas duas amigas riram muito. Estávamos em 3, de onde tirei a quarta pessoa? Meu alterego, persona? Ou lugar reservado para alguma outra amiga que deveria ter ido?
Para beber? Nem precisa olhar o cardápio. Cosmopolitan para brindar à amizade e em seguida, Absolut com frutas vermelhas. Se eu fosse eu e se eu não fosse eu continuaria tomando isso.
Recentemente li 2 livros de Clarice: "Outros Escritos" e "Minhas Queridas".
A peça veio em boa hora, hora que estou no universo de Clarice. Meu universo também. Sou meio Clarice. Marco muitas coisas nos livros dela por parecerem que foram escritas por mim ou por indicarem o que sinto, o que sou ou o que pareço.
Clarice é Clarice.