segunda-feira, 28 de maio de 2007

Se eu fosse eu - Clarice Lispector

Recebi de uma amiga em julho/2005. Um texto que rendeu muitos papos filosóficos...
Aproveitando... Se eu fosse eu, eu manteria um blog??

Se eu fosse eu
Clarice Lispector

Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Ás vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase “se eu fosse eu”, que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar . Diria melhor, sentir. E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas, e mudavam inteiramente de vida. Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei. Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho, por exemplo, que por certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo o que é meu, e confiaria o futuro ao futuro. “Se eu fosse eu” parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido. No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas a loucuras de festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor, aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais.

O 1o. dia do Blog

Um pequeno intervalo na hora do almoço e 3 passos simples para criar meu blog.
A dúvida do que publicar e, aqui estou pensando no escopo do meu blog e preocupada com o pouco tempo que tenho agora para escrever. Também pensei em expectativas, pois desde 96 quero escrever um livro. São 11 anos de transformação e mudanças, o livro de hoje não é o mesmo de 11 anos atrás. Considero que o tempo é um pouco diferente do tempo em projetos, o tempo é o tempo que eu preciso para desenvolver minhas idéias e finalmente publicá-las e compartilhá-las. Que seja no tempo que eu tenha! Que seja no tempo que eu faça acontecer!
Falando em escopo, tempo, expectativas... caio na carreira que escolhi: Gerenciamento de Projetos. E, fica fácil perceber que tudo na vida profissional e pessoal envolve gerenciamento de projetos.
Em 11 anos: dedicação a gerenciamento de projetos, pós-graduação, certificações, "n" projetos gerenciados, mudança de prioridades profissionais e pessoais, casamento vivido, casamento encerrado, mudanças de emprego, amigos antigos, novos amigos, família, expectativas atingidas, expectativas alinhadas, expectativas frustradas.... e, replanejadas! Muita estória... e o livro, no tempo que sair, será o resultado de tudo que aprendi na minha vida profissional e pessoal.
As pessoas que motivaram a criação do meu blog aparecerão em outras publicações. Agora.... acabou meu tempo... E, fica como reflexão: Por que não conseguimos tempo para coisas que realmente são importantes para nós? Ou conseguimos? Nesse momento não consegui...